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Nódulos e tumores do testículo

 

No testículo podem eventualmente ser palpados pequenos nódulos duros, sem qualquer dor ou reacção inflamatória.

Uma ecografia escrotal demonstra, quase sempre, a existência de um pequeno quisto (quisto epidermoide) ou uma pequena calcificação a nível do epidídimo, que correspondem, habitualmente, a situações benignas.

O tratamento consiste na excisão simples dessas lesões, por via escrotal e em regime ambulatório.

 

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Pequeno quisto epididimário
   

Se a ecografia escrotal identifica um ou vários nódulos sólidos no testículo propriamente dito, o problema é muito mais sério, pois podem corresponder a um tumor benigno (teratoma benigno, nódulo hiperplásico, fibroma, leiomioma ou hemangioma) ou a um tumor maligno. O tratamento passa sempre por uma orquiectomia (excisão do testículo). Para além disso, temos de saber se estamos em face de um tumor benigno, em que basta aquela cirurgia, ou de um tumor maligno, que exige cirurgias maios complexas e tratamentos médicos.

Note-se que os tumores testiculares representam, apenas, 1 a 2 % de todos os tumores pediátricos e que mais de metade dos tumores testiculares pediátricos são benignos.

A Associação Americana de Pediatria propôs a seguinte classificação para os tumores testiculares:

I - Tumores das células germinais: As células germinais podem dar origem a uma variedade grande de tumores, apesar de serem raros (1/1.000.000 de crianças até aos 15 anos de idade):

     a) Teratoma: É o mais frequente dos tumores das células
         germinais.
         a1) Variedade madura - Representa 80% dos teratomas.
               Contém estruturas diferenciadas, como
               pele, cartilagem, osso, dentes, pelos. Esta forma é
               benigna.

         a2) Variedade imatura - representa 20% dos teratomas.
               Apresenta estruturas tecidulares pouco diferenciadas.
               É uma forma maligna.

     b) Tumor do sinus endodérmico,EST ou tumor do saco
          vitelino
- É o mais frequente dos tumores malignos do
          testículo (56%).
     c) Tumor de células mistas (maligno).
     d) Seminoma (maligno). Este tumor, ao contrário dos outros
         tumores malignos do testículo, não produz alfafetoproteina.
         Nódulos e tumores do testículo:
         No testículo podem eventualmente ser palpados pequenos
         nódulos duros, sem qualquer dor ou reacção inflamatória.

II - Tumores do estroma gonadal (malignos):

      a) Tumor de células de Leydig
      b) Tumor de células de Sertoli
      c) Tumor de células granulosas
      d) Tumor misto do estroma gonadal

III - Gonadoblastoma (muito maligno)

IV - Tumores dos tecidos de sustentação. São genericamente benignos:

     a) Fibroma
     b) Leiomioma
     c) Hemangioma

V - Linfoma e leucemias: Trata-se de uma infiltração linfomatosa dos testículos, que assumem um aspecto tumoral. Não é necessária cirurgia. O tratamento é o da doença base.

VI - Nódulos pseudotumorais: São formações benignas.

     a) Quisto epidermóide: É o nódulo testicular mais frequente
         em idade pediátrica.
     b) Nódulos hiperplásicos.

VII - Tumores secundários: São metástases de tumores com
outras localizações.

VIII - Tumores dos anexos: São invasões do testículo por tumores originários das estruturas vizinhas. São malignos.

     a) Rabdomiossarcoma
     b) Fibrossarcoma

 

Se a ecografia testicular mostrar que o nódulo duro corresponde a uma formação do próprio testículo, devem ser realizadas análises especiais, como o doseamento de alfetoproteina e de gonadotrofina coriónica. Valores elevados destas substâncias são indicativos de tumores malignos. Devem ainda ser realizadas tomografias axiais computorizadas (TAC) do abdómen e do tórax, para identificação de eventuais metástases à distância do tumor testicular. A ressonância magnética pode ter indicação.

No caso de se constatar que o nódulo está localizado ao testículo e não há valores laboratoriais sugestivos de malignidade, basta proceder a uma orquiectomia simples (excisão apenas do testículo), por via inguinal. Durante o acto operatório deve ser feito um exame anátomo-patológico para identificação do tipo de tumor.
Caso se verifique que se trata de um tumor maligno, a cirurgia deve ser mais elaborada, como se indica a seguir.

Todos os tumores malignos do testículo exigem uma cirurgia radical com orquiectomia por via inguinal, complementada com excisão dos gânglios inguinais.

Para além disso, se nos exames complementares pré-operatórios tiverem sido detectadas lesões tumorais nos gânglios retroperitoneais, estes também devem ser removidos, por abordagem abdominal.

Se houver tumor para além do testículo, deve ser feita quimioterapia.

No pós-operatório devem ser feitos controles periódicos dos valores de alfafetoproteina no sangue. Se houver uma subida dos valores, deve ser feita quimioterapia.

Os tumores secundários requerem uma orquiectomia radical, para além do tratamento indicado para o tumor original.

Fotos de um caso de gonadoblastoma testicular (aos 15 anos de idade). Testículos aparentemente normais; um deles com pequenos nódulos duros à palpação. Aspecto do testículo após cirurgia e Rx pulmonar em que se observam inúmeras metástases. Foram necessárias cirurgia radical (via abdominal) e quimioterapia.

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Caso de gonadoblastoma testicular (aos 15 anos de idade). Testículos aparentemente normais; um deles com pequenos nódulos duros à palpação.
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Aspecto do testículo após remoção cirúrgica
   
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Rx pulmonar em que se observam inúmeras metástases.